Nos anos em que passei ao lado de Ágaris, devo dizer que minha atenção não era tanta. Passamos por muitas coisas juntos, mas de tanto nos preocuparmos um com o outro, acabamos por muitas vezes não prestando atenção em detalhes. Esse foi um dos motivos pelos quais resolvemos dividir nossa jornada e eu voltei a Haminar.
Haminar é meu lar. Mesmo que tenha vagado por todos os reinos de Teramar e apreciado a hospitalidade do sul, os Reinos do Norte sempre terão meu coração. As pessoas daqui são distantes à primeira vista; distantes e frias, cautelosas e perspicazes. Talvez não fosse assim há duzentos anos, quando tudo aquilo aconteceu. As aparências enganam, no entanto. Quando faz um amigo aqui, dificilmente ele se esquecerá de você, e ambos manterão contato por toda vida se depender dele. A frieza é apenas momentânea; um sinal de insegurança perante tudo o que é estranho. Por trás da fina camada de gelo da desconfiança, jaz um amigo caloroso e terno.No reino onde nasci, Keriato, isto pode ser visto até nas pequenas ruas da mais ínfima das vilas. Aqui, onde não há um grande rei ou algo parecido, as pessoas são ainda mais unidas em suas cidades semi-independentes.
Infelizmente não é assim em todo o mundo do norte. As fagulhas de calor humano se abrandaram após a passagem de Anzipadára. Ela ainda é sentida em todos os lugares, eu sei, mas para Inkara e Bados o impacto foi gigantesco. Milhares de pessoas da Estrela do Oeste simplesmente foram levadas pela onda de terror, e terremotos aterrorizantes aniquilaram mais uma vez a cidade de Beriloshir. Há mais de dez anos não se vêem crianças brincando pelas ruas sem ter um adulto por perto. As poucas que se arriscam são duramente repreendidas.





